Mussche Judocque, solteiro, viajou sozinho, em agosto de 1844, com o barco Jan Van Eyk, de Ostende, Bélgica rumo à Santa Catarina, Brasil, junto com mais de cem outros migrantes belgas.
Gustavo Pedroso me informou que seu testamento foi registrado em São José aos 11 de dezembro de 1851.
Neste processo, o belga Judocus Mussche, encontrando-se doente, dispôs as suas últimas vontades por meio de seu testamento. Judocus declarou ser natural da cidade de Gand (ou Gent, e em português "Gante" ou "Gande"), situada nos Flandres Orientais, na Bélgica. Judocus era filho legítimo de Bernardo Mussche e de Izabel Catharina, ambos já falecidos na data de seu testamento, 11 de dezembro de 1851.
Judocus era casado com Margarida Claysen, de cujo matrimônio não existiam filhos vivos. Logo, sem "herdeiros forçados", Judocus pôde distribuir sua herança com maior liberdade. Assim, instituiu como 1º testamenteiro Jacob Claysen, e como 2º testamenteiro Jose Adão Miguel. Judocus deu à sua mulher, Margarida Claysen, o poder para decidir sobre os procedimentos de seu enterro. Margarida também foi decretada como sua única e universal herdeira. O testamento não declarou bens.
Por não ter condições de escrever, Judocus foi auxiliado pelo tabelião David do Amaral e Silva na redação de seu testamento. Na sentença, o juiz aprovou o testamento, e pediu pela notificação dos testamenteiros. Jacob Claysen foi notificado, e no termo de aceite comprometeu-se à exercer a testamentaria de Judocus.
Resumo do testamento disponível em https://atom.tjsc.jus.br/index.php/84044
José Adão Miguels, segundo testamenteiro, pediu em 26 de janeiro 1852 para abrir o testamento. O primeiro testamenteiro era Jacob Claysen, talvez irmão da esposa Margarida Claysen. Judocque Mussche morreu provavelmente logo depois de ter feito seu testamento. A sua esposa, alemã, da colônia São Pedro de Alcântara, casou-se novamente em 07.08.1852 em São José.
Esses detalhes, em especial, o fato que sua esposa era da colônia alemã São Pedro de Alcântara, reforça a suspeita de que Mussche pertencia ao grupo em torno de Charles De Gandt. Quando o barco Van Eyck chegou em Desterro, os colonos foram informados, por Charles Van Lede, de que o Governo brasileiro ainda não havia disponibilizado o terreno prometido. Profundamente contrariados por ter que cultivar terras compradas por Van Lede, 17 compatriotas resolveram se separar e fundar um novo empreendimento. Foi Charles De Gandt quem recusou a seguir com o plano original. Ele levou "seus 16 colonos" para se estabelecer por conta própria a poucas léguas da cidade Desterro.
