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Ledent, Armand

Ledent Armand
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Em seu dossiê de naturalização brasileiro, do engenheiro belga Armand Ledent, que ele pediu com 62 anos de idade, consta que ele era "Engenheiro e Bacharel em Sciencias Naturaes". O jornal belga La Meuse de 31.07.1879 confirme que na "Université de Liège est admis Armand Ledent de Liège avec grande distinction en Sciences Naturelles". Dois anos depois, o mesmo jornal escreveu que foi "admis à l'Ecole des Arts et Manufactures" da universidade de Liège. Armand Ledent nasceu em 22 de outubro de 1859 em Liège. Seu pai era Jean e sua mãe Henriette Lheureux. Na época do pedido de naturalização viveu na Avenida Maracanã 709 no Rio de Janeiro. Declarou que estava morando no Brasil desde 1891.

Uma das primeiras notícias sobre a chegada de Ledent ao Brasil, foi publicado no Correio Paulistano de 19.04.1895 dizendo que "O cidadão Armando Ledent foi exonerado a pedido, do cargo de secretário em comissão da Fazenda de S. João da Montanha, em Piracicaba. O Jornal do Commercio de 13.11.1896 menciona “O engenheiro Armand Ledent, nomeado para o cargo de 1o ajudante da Estação Agronômica do Estado [RJ] tomou posse e entrou em exercício de seu cargo em 5 do corrente mês.” No ano seguinte, o mesmo jornal escreveu: “Recebemos uma amostra de excelente manteiga fabricada na estação agronômica de Paraíba do Sul, sob a direção do engenheiro químico Sr. Armand Ledent.”

A Revista Americana de fevereiro 1910 informa que “Em 1902 foi organizado, em Araras (SP), uma escola de trabalhadores rurais pelo inspector Dr. J. Pedro Cardoso. O primeiro diretor foi o Sr. Armand Ledent. O curso é de dois anos.”

Ainda está para investigar quando tempo Ledent atuou em Araras. Fato é que ao pedido do Ministro Rodolpho Rocha Miranda que assumiu o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio de 29 de novembro de 1909 a 5 de novembro de 1910, Ledent foi convidado a remodelar os aspetos pedagógicos da Escola Superior de Agricultura de Piracicaba, a futura ESALQ, no Estado de São Paulo.

Armand Ledent dossiê de naturalização

Após realizar viagens como pesquisador na área do ensino agrícola, enviou seu relatório, intitulado O ensino profissional e agrícola. Plano Geral de Organização, ao Ministério da Agricultura no Brasil, em 1910, apontando as experiências vivenciadas no exterior. Este documento serviu de inspiração para as linhas gerais da política brasileira de educação agrícola e profissional na época. As ideias do Ledent foram determinantes para definir a linha metodológica dos "aprendizados agrícolas" no Brasil, baseada no lema "Aprendendo a Fazer, Fazendo para Aprender". Ele defendia o método experimental e intuitivo, inspirado em experiências de países como os Estados Unidos, França e Bélgica, focando na formação de trabalhadores aptos para a atividade econômica moderna e racional.

Trabalhou um tempo na Bélgica como inspector no ministério de indústria e trabalho. O jornal O Paiz de 11.10.1911 destaca que “A convite do Dr. Pedro de Toledo, feito por intermediação das relações exteriores, virá ao Brasil, contratado prestar os seus relevantes serviços à agricultura, o engenheiro belga Dr. Armand Ledent.” De volta ao Brasil, ocupou o cargo de Diretor-Geral Interino da Agricultura, estando presente na inauguração do Aprendizado Agrícola de Barbacena, em 14 de julho de 1913, instituição que seguiu as diretrizes metodológicas e organizacionais por ele preconizadas.

Ledent Armand livro Un paysDa sua autoria são os seguintes livros:

  • Le Maté / Armand Ledent e Bento Dinard de Araujo. 1907
  • Un pays d’expansion économique. Questions d’émigration et de colonisation / Armand Ledent. – Bruxelles: Imprimerie V. Verteneuil et L. Desmet, 1910 – 187 p.
  • O ensino profissional e agrícola. Plano Geral de Organização. 1910.
  • Le Brésil et l'enseignement agricole. 1910.
  • Note sur l'enseignement professionnel. 1910
  • A plantação de alfafa nas terras pobres especialmente da região granítica central do Brasil. 1930

Em resumo, Ledent foi o mentor técnico e intelectual que ajudou o governo republicano brasileiro a transitar de modelos de ensino meramente teóricos ou rotineiros para um sistema de instrução técnica voltado para a produtividade e a modernização do campo.

A data e lugar de seu falecimento são desconhecidas.

Fontes:

  • Dossiê de naturalização de Armando Ledent - Ledent Armand no Arquivo Nacional: BR_RJANRIO_A9_0_PNE_12474_d0001de0001
  • Os mencionados jornais e revistas
  • A defesa do ensino agronômico por Dario Vellozo na revista A Escola / Maria Beatriz de Mello.