A Mapoteca da seção cartográfica do Arquivo Público do Estado de São Paulo guarda diferentes registros da atuação profissional do Victor Andrigo. Andrigo foi contratado em 1898 pela Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. A data da sua saída da Superintendência de Obras Públicas ainda está desconhecida. A Mapoteca não contém projetos dele datados depois do ano 1900, que sugeriu que ele pediu afastamento do cargo em 1901.
Os registros permitem ir além de uma simples lista de plantas: é possível identificar tipos de obras, municípios atendidos, cronologia, colaboração com outros engenheiros e procedimentos de elaboração dos projetos.
O que os registros revelam sobre Victor Andrigo
A planilha do Setor Iconográfico do Arquivo Público do Estado de São Paulo contém 26 registros relativos a projetos ou intervenções atribuídos a Victor Andrigo, abrangendo o período de 1898 a 1900. O dado mais importante é que o conjunto documenta uma atuação bastante diversificada. Andrigo trabalhou em cadeias públicas, instalações escolares, equipamentos sanitários, obras de apoio a instituições científicas e intervenções em espaços públicos da capital. Os 26 registros são de 14 projetos ou conjuntos documentais
A documentação permite sustentar que Andrigo participou ativamente da produção técnica da Superintendência de Obras Públicas. Entretanto, não seria correto interpretar os 14 projetos como edifícios projetados integralmente por ele: muitos dizem respeito a obras complementares, adaptações, reparos ou desenhos de uma mesma intervenção.
Três grandes campos de atuação.
A. Cadeias públicas e penitenciária
São 9 registros de cadeias públicas e penitenciária. Inclui a cadeia e a casa de câmara de Rio Claro, a consolidação da cadeia de Casa Branca, o projeto de cadeia de Pereiras, a cadeia de Lavrinhas e a cadeia de Guareí. Há ainda o orçamento de reparos da Penitenciária da Capital.
Na virada do século XIX para o século XX, os projetos de construção de cadeias, fóruns e repartições públicas no Estado de São Paulo eram centralizados e desenhados pela Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas (SACOP) ou pela Secretaria de Justiça. Muitas das cadeias de pequeno e médio porte do interior seguiam plantas padronizadas (conhecidas na época como "plantas-tipo") desenhadas por engenheiros do Estado para abrigar um destacamento policial e algumas celas (xadrezes).
Andrigo atuava tanto na concepção de edifícios destinados à segurança pública quanto na recuperação de construções existentes. A variedade de desenhos — plantas, fachadas, cortes e orçamentos — permite investigar sua participação nas diferentes etapas do trabalho.
B. Instalações escolares e obras complementares
São 10 registros de quatro conjuntos principais: Campinas, Amparo, Mogi Mirim e Araraquara.
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Campinas: pavilhão para latrinas e mictórios e transformação de duas salas em uma única sala de aula.
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Amparo: muros de fechamento do terreno e muro do recreio.
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Mogi Mirim: muros e obras de calçamento no terreno do grupo escolar.
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Araraquara: grade na fachada principal, pavilhão sanitário e muro de fechamento.
Esses documentos revelam o trabalho necessário para tornar os edifícios escolares plenamente funcionais. Andrigo não aparece aqui apenas como projetista, mas como profissional envolvido na infraestrutura dos estabelecimentos de ensino.
C. Equipamentos científicos, militares e espaços públicos
Os 7 registros incluírem a cocheira-enfermaria do Instituto Seroterápico, no Butantan, um pavilhão de latrinas e mictórios para o Quartel do 3.º Batalhão, o aumento de um coreto no Jardim do Palácio e o estudo de implantação do novo teatro na área do Largo Dr. João Mendes.
Andrigo participou de obras especializadas, destinadas a instituições científicas e militares, e também de intervenções em espaços públicos da capital.

Victor Andrigo chegou em outubro de 1896 em São Paulo. No ano seguinte trabalhou como arquiteto para a "Commissão Technica de Melhoramentos da Intendência de Obras do Município de S. Paulo", onde outro belga, o arquiteto