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Vauthier, Gustave (1861 - 1923)

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belga Gustave VauthierGustave-Charles Vauthier nasceu no dia 11 de janeiro de 1861 em Bruxelas (Bélgica) e faleceu no dia 5 de abril de 1923 em Ponta Grossa (Paraná).

Depois de formar se como "Ingénieur des ponts et chaussées" (Engenheiro de pontes e estradas) em 1884 na Universidade de Gent, ele começou a trabalhar para a "Compagnie du Chemin de Fer du Grand Central Belge". Em 1887, liga-se à "Compagnie du Congo pour le Commerce et l'Industrie" (C. C. C. I.) e mudou-se para este país aonde foi investigar a rota da futura estrada de ferro Matadi - Leopoldville.

As empresas belgas, "Compagnie des Chemins de Fer Sud-Ouest Brésilien" e, posteriormente, a "Compagnie Auxiliaire des Chemins de Fer au Brésil" trouxeram de 1891 a 1914 vários engenheiros e técnicos belgas, entre os quais Adolphe Lekeu, Cambier, Vander Perre, Nonnenberg, Lionel Wiener, Joseph Demaret, Léon Sévérin e Gustave Vauthier, para a construção e a gestão de estradas de ferro no Paraná e Rio Grande do Sul.

Com o vapor Merthe um grupo de engenheiros, entre eles Gustave, chegou no 30 de janeiro de 1891 no Rio de Janeiro, recebidos por João Teixeira Soares (1848 - 1927), engenheiro ferroviário brasileiro. Soares pediu que Vauthier assuma a gestão do departamento dos estudos da seção Paraná da Compagnie des Chemins de Fer Sud-Ouest Brésilien. Depois de um passagem em Curitiba onde ele se encontrou com Paul David, diretor da Estrada de ferro do Parana e Gaston de Cerjat, engenheiro franco-suiço, representante da Co. Dyle et Bacalan e responsável pelo prolongamento da estrade de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul, ele chegou no início do mês de março de 1891 em Ponta Grossa (Paraná). Aprendeu a andar de cavalo para estudar o melhor trajeto entre Santa Maria e Cruz Alta da estrada de ferro. La conheceu sua futura esposa Maria da Conceição Ribas. O casal teve 03 filhas Suzanna (1893), Helene (1896 – 1927), Alice (1898 - ) e o filho Alfred (1901-1902).Gustave Vauthier e Conceição Ribas Vauthier

Gustave Vauthier e Conceição Ribas Vauthier - foto arquivo da família

Ele radicou-se, a partir de dezembro de 1891, na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul onde a Companhia montou seu centro de operações.

Em 1911, a Auxiliaire foi completamente absorvida pela Brazil Railway, companhia fundada e dirigida pelo Sr. Farquhar. Vauthier comentou em carta aos seus pais:

"Para a indústria belga, a perda será sensível, pois todo o novo material e todo o equipamento serão, de preferência, comprados nos Estados Unidos."

O ano seguinte acrescentou: "Os Secundaires jamais quiseram ver, em sua rede brasileira, senão uma vasta estrada de ferro vicinal e pretendiam dirigi-la segundo os princípios seguidos nos pequenos bondes a vapor dos arredores de Bruxelas. O Sr. Farquhar quer, ao contrário, aplicar aqui – porém pouco a pouco – os métodos seguidos nas maiores redes americanas. Em Bruxelas sempre me trataram de oportunista e de outras coisas ainda. A realidade, entretanto, sempre superou minhas expectativas."

Em carta datada de 4 de julho de 1914 que ele enviou aos seus pais comentou "Dentro de um ano e alguns meses completarei meu 25º ano de serviço numa companhia que mudou três vezes de nome, mas que no fundo permaneceu sempre a mesma: Sud-Ouest Brésiliens, Auxiliaire e Brazil Railway." Ele exerceu o cargo de diretor geral da "Auxiliaire" entre 1898 e 1910 e, num segundo período entre 1919 a 1920.

Vauthier reclamava continuamente dos minguados e indecisos investimentos e da falta de visão e de confiança no futuro do Brasil por parte dos capitalistas e administradores de Bruxelas.

No auge de sua carreira após quase 20 anos de serviço recebeu mais de 30 contos de réis, além de outras vantagens e regalias.

Em 1905, Manuel Ribas se estabeleceu em Santa Maria, a convite de seu cunhado Gustvave Vauthier, para assumir a direção do armazém de fornecimento aos seus funcionários, o Economat. Manuel Ribas foi um dos fundadores da Cooperativa dos Funcionários da Viação Férrea em 1913, desempenhando a função de gerente até 1920, e daí em diante como diretor geral. Foi também o criador da Escola Técnica de Artes e Ofícios para os filhos dos ferroviários, além de um Hospital da Cooperativa. Em 1928 foi eleito prefeito de Santa Maria, função que ele ocupou até 1932. Depois foi convidado para Vargas a ser governador de Paraná.

Gustave Vauthier era figura conhecida e respeitada na sociedade local e tornou-se amigo do então Presidente da Província Antônio Augusto Borges de Medeiros. Foi o idealizador e construtor da Vila Belga em Santa Maria. Também participou como consultor técnico na comissão construtora da nova Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição. Uma placa comemorativa na entrada da Catedral menciona “A perpetua memoria: Esta igreja começada a 8-12-1902, consagrada a 5-12-1909, elevada a catedral a 15-8-1910 foi levantada pelo povo e esforços da seguinte comissão ...Dr. Gustave Vauthier”.

Por inúmeras vezes, o pessoal técnico e a infra-estrutura da Companhia foram colocados à disposição da comunidade. Foi o caso das obras de ampliação do pé direito da Igreja de Silveira Martins (Quarta Colônia) quando, “graças aos potentes macacos importados da Bélgica pelo doutor Gustavo Vauthier, diretor da Companhia Ferroviária Belga, conseguiu manter intacta a armação do telhado, limitando os trabalhos apenas a descer as telhas.”

Vauthier manteve-se frente à Companhia até 1918, quando passou a ocupar o cargo de representante dos interesses belgas até a encampação definitiva da Auxiliare pelo Estado do Rio Grande do Sul, em 1920. No mesmo ano, retornou para Ponta Grossa, terra natal de sua esposa, onde faleceu em abril de 1923.

Vauthier foi cônsul belga em Porto Alegre de 10 de maio de 1917 até o dia do seu falecimento 05 de abril de 1923.

Em homenagem a Vauthier, uma rua na Vila Belga em Santa Maria tem seu nome, a Rua Doutor Wauthier (escrito com W ao invés de V). No município de Dom Pedrito, no mesmo estado Rio Grande do Sul, na linha ferroviária Livramento-São Sebastião, foi inaugurada em 17 de fevereiro de 1923, dois meses antes do seu falecimento, a Estação de Vauthier. Infelizmente, no final dos anos 1970, o ramal teve os trilhos retirados e a estação foi demolida.

Fontes:

  • http://www.kaowarsom.be/...
  • http://www.estacoesferroviarias.com.br...
  • Artigo "Penetração econômica, assistência técnica e "Brain drain": Aspectos da Emigração belga para a América Latina por volta de 1900" por Eddy Stols
  • A Vila Belga / Caryl Eduardo Jovanovich Lopes em “Anais do seminário: Território, patrimônio e memória” (Santa Maria, 2001) p. 122-147
  • BONFADA, Genésio. Os palotinos no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Pallotti, 1991. p.131.
  • Penetração económica, assistência técnica e "Braindrain": Aspectos da emigração belga para América Latina / Eddy Stols - p. 368 - 384
Cartas de Gustave Vauthier aos seus pais

Gustave Vauthier escreveu, mesmo durante sua viagem ao Brasil. até seu falecimento em Ponta Grossa (PR), quase semanalmente cartas a seu pai ou mãe vivendo em Bruxelas, com exceção durante a Primeira Guerra mundial (1914-1918) quando não houve serviço de correio entre o Brasil e a Europa. Essas cartas foram guardadas e encontram-se na Casa Guidoux, em Bagé (RS). Ele sempre escreveu em francês. A tradução foi feita com inteligência artificial. 

Suas cartas e anotações revelam não apenas aspectos técnicos de seu trabalho, mas também observações sobre a sociedade brasileira, o ambiente político e sua própria integração na vida local.

25.01.1891 – A bordo do navio Merthe (rumo ao Rio de Janeiro)
Hoje chegamos a Lisboa.

30.01.1891 – A bordo do Merthe
O grupo com o qual convivo mais é naturalmente o dos engenheiros. Sem falar do sr. LeKeu, temos todos mais ou menos a mesma idade, entre 27 e 38 anos, e para a maioria de nós esta não é a primeira viagem. Chegaremos ao Rio, onde o sr. Soares nos espera. Provavelmente chegaremos no dia 10 do próximo mês.

09.02.1891 – A bordo do Merthe
Impressões de uma curta visita a Pernambuco (Recife) e à Bahia (Salvador).

13.02.1891 – Rio de Janeiro
No próximo domingo partiremos todos juntos para Paranaguá e, de lá, para Ponta Grossa. O sr. Soares deseja que eu assume a direção deste serviço, isto é, os estudos da seção do Paraná. Fomos também visitar o sr. d’Anethan, ministro da Bélgica em Petrópolis.

20.02.1891 – Curitiba
Impressões sobre São Paulo e os paulistas, “com suas ideias separatistas do Norte do Brasil”; observações sobre Curitiba e a ferrovia Paranaguá–Curitiba; sobre as araucárias. Comentários sobre LeKeu, que tem sempre dúvidas e se deixa influenciar facilmente. Encontrou Paul David, diretor da Companhia de Estradas de Ferro do Paraná, e Cerjat, engenheiro-chefe das obras de prolongamento dessa ferrovia.

01.03.1891 – Ponta Grossa
Primeiras impressões da cidade. Faremos levantamentos em duas direções: para Santa Maria e para Itararé. Estou aprendendo a montar: cavalgo diariamente durante cinco ou seis horas, a cavalo ou em mula. Espero estar completamente curado das febres. O transporte entre Ponta Grossa e Curitiba é frequente, feito por grandes carroções puxados por cavalos ou bois. A vida custa muito mais no Brasil do que na Bélgica.
Meu título é: Engenheiro-chefe dos Estudos das Estradas de Ferro do Sudoeste Brasileiro, em Ponta Grossa, Estado do Paraná.

23.03.1891 – Ponta Grossa
Temos instrumentos muito superiores aos usados no Brasil. São realmente muito aperfeiçoados, mas os operadores não estão à altura deles. O vale do Pitangui é muito encaixado e sinuoso, sendo difícil determinar à primeira vista o melhor traçado para a ferrovia.

16.04.1891 – Acampamento do Pitangui
Talvez eu deixe Ponta Grossa dentro de três ou quatro meses para ir a Santa Maria. Observações sobre os trabalhadores.

02.05.1891 – Ponta Grossa
LeKeu deixará o Rio no dia 10 de maio para retornar a Bruxelas. O inverno se aproxima.

07.05.1891 – Ponta Grossa
Na própria cidade de Ponta Grossa tenho muitas oportunidades de falar alemão, mas no interior das matas o português é a única língua compreendida.

24.05.1891 – Ponta Grossa
Dificuldades para enviar dinheiro à Europa, devido à falta de bancos e às taxas elevadas.

07.06.1891 – Ponta Grossa
Sobre seu futuro trabalho em Santa Maria: ele seria apenas o representante de Soares nas obras. Cerjat é o engenheiro-chefe da linha em construção de Curitiba a Ponta Grossa. A seção de Santa Maria a Cruz Alta tem 225 km e atravessa, em grande parte, um terreno difícil e caro. Deixará Ponta Grossa sem grandes saudades.

06.07.1891 – Ponta Grossa
A monotonia da sua vida mudou quando conheceu uma jovem brasileira. Reflete sobre a possibilidade de se casar no Brasil caso surja oportunidade. Conheceu a jovem, senhorita Ribas, em uma festa na semana anterior. Tem cerca de 17 anos. Conhece o pai dela, amigo do sr. Soares. Pensa nas duas hipóteses: casar no Brasil ou esperar voltar a Bruxelas em três anos.

24.07.1891 – Ponta Grossa
Retoma o assunto da jovem que conheceu dois meses antes e que lhe agrada muito. Está disposto a casar-se com ela.

02.08.1891 – Ponta Grossa
O casamento agora está decidido. Dá informações sobre sua situação financeira e sobre a família Ribas (Auguste Ribas e sua esposa, com sete filhos). Data prevista do casamento: 25 de setembro (depois fixada em 26). Menciona as formalidades e documentos necessários.

27.08.1891 – Ponta Grossa
Entra na vida conjugal sem preocupações financeiras e muito feliz, amando cada dia mais sua noiva.
(Foto-cartão do casamento; os pais eram contra o casamento.)

03.12.1891 – Santa Maria
M. Vanderperre, chefe da contabilidade, está lá com sua esposa e uma filha de 16 anos, que deverá casar-se com Cambier, um dos agentes que partiram da Europa junto com ele. Cambier foi encarregado de alugar a casa e comprar o mobiliário do casal. Há também menção a uma caixa de lúpulo trazida da Europa; o consumo de cerveja é grande no sul do Brasil.

10.12.1891 – Santa Maria
Observações sobre o trabalho e sobre a falta de aprovação do governo. Comparações entre Santa Maria e Ponta Grossa. Desenho da planta da casa.

05.01.1892 – Santa Maria
Observações sobre os habitantes do Rio Grande do Sul e sobre a política de Assis Brasil.

29.02.1892 – Santa Maria
Comentário sobre a viagem de LeKeu e sobre a crise econômica; pede que na Europa não falem mal do Brasil.

28.05.1892
Uma caixa de lúpulo chegou a Porto Alegre.

27.07.1892
No mês de janeiro seguinte a família aumentará com o nascimento de um filho ou filha Ribas-Vauthier. Pede que enviem livros para o endereço de Chaves Campello, despachante em Rio Grande.

22.08.1892
Pede ao pai que apresente o sr. Soares, durante sua visita a Bruxelas, a Jules Urban, Finet e de Lavelye. Gustave preparou um relatório.

27.08.1892
O empreiteiro geral da União Industrial fez uma proposta: construção de 41 km difíceis antes do rio Uruguai e de uma ponte de 400 metros sobre o rio. Ele ainda não aceitou nem recusou. Depende de garantias financeiras (1/5 do capital, cerca de 400.000 francos belgas). Pede ao pai e a René que verifiquem o interesse em Bruxelas. Engenheiros são raros no Rio Grande, e o dinheiro também.

07.11.1892
Lutas e revoluções nos arredores de Cruz Alta. O país é frequentemente perturbado e mal administrado no interior. A Bélgica não tem representação consular efetiva em Porto Alegre; apenas o chefe de uma casa alemã, sr. Lüdewitz.

13.01.1893
A União Industrial cedeu sua rede ferroviária e criou uma nova companhia: Chemins de fer San-Paul – Rio Grande, presidida por Soares.

28.01.1893
Nasceu Suzanne.

24.02.1893
Gustave torna-se representante provisório da companhia para a seção Cruz Alta – Uruguai (390 km), prolongamento da linha do Sudoeste Brasileiro.

15.04.1893
Nomeado inspetor das obras da linha Cruz Alta – Uruguai, com gratificação mensal de 500 mil-réis.

14.05.1893
Chegada de Nonnenberg, engenheiro-chefe das linhas secundárias, que inspeciona as obras.

08.06.1893
Comentário sobre uma viagem com Nonnenberg, que lhe causou ótima impressão.

[há ainda muitas outras cartas]

....

1906
Cabeçalho: Estrada de Ferro Southern Brazilian – Rio Grande do Sul
Gabinete do Diretor Geral.

5.3.1911

Desde que sou diretor da estrada de ferro, nunca tive tanto que fazer como durante estas últimas semanas...
... convidados do Sr. Farquhar.

22.3.1911

Por minha carta precedente, sabes que a Auxiliaire foi completamente absorvida pela Brazil Railway, companhia fundada e dirigida pelo Sr. Farquhar...

Para a indústria belga, a perda será sensível, pois todo o novo material e todo o equipamento serão, de preferência, comprados nos Estados Unidos.

09.06.1911

Há oito dias estou em São Paulo, onde está instalado o escritório central da Brazil Railway...

Dentro de poucos dias estarei de volta a Santa Maria.

28.06.1911

Hélène está noiva do doutor Albert de Souza, 25 anos.

1.8.1911

Os americanos, que dirigem a Auxiliaire, introduziram várias mudanças em nossa organização; suprimiram, notadamente, muitos empregados.

Marcel [Guidoux] perdeu seu posto. Ele era o secretário do chefe do tráfego, o qual também foi demitido.

Marcel não procurará mais emprego; interessar-se-á por um negócio que meu cunhado Manoel Ribas vai montar no Paraná.

19.05.1912
Nascimento de Charles Guidoux.

14.08.1912

Uma peste eclodiu em Santa Maria...

Os Secondaires jamais quiseram ver, em sua rede brasileira, senão uma vasta estrada de ferro vicinal e pretendiam dirigi-la segundo os princípios seguidos nos pequenos bondes a vapor dos arredores de Bruxelas.

O Sr. Farquhar quer, ao contrário, aplicar aqui – porém pouco a pouco – os métodos seguidos nas maiores redes americanas.

Fundindo diferentes redes, ele quer tornar possível o transporte de mercadorias de pequeno valor em distâncias de 1.800 a 2.000 km.

Em Bruxelas sempre me trataram de oportunista e de outras coisas ainda. A realidade, entretanto, sempre superou minhas expectativas.

2.10.1912

Desde que não sou mais o diretor efetivo da estrada de ferro, mas apenas o representante da Auxiliaire, viajo muito...

Graças ao Sr. Farquhar, a Auxiliaire faz parte hoje de um grupo de estradas de ferro que conta entre os mais importantes do mundo.

11.12.1912

Obtive, do general comandante do Rio Grande, a transferência de Alberto para Porto Alegre.

Iremos nos instalar lá por volta do fim do mês...

94, Rua da Independência, em Porto Alegre.

10.01.1914

A rede da Brazil Railway compreende a Auxiliaire e três outras estradas de ferro do Paraná e de São Paulo.

Os interesses mais importantes estão em São Paulo, onde foi instalada a direção-geral.

Minhas funções são, portanto, representar os interesses da Companhia Auxiliaire, defender seus direitos e lutar constantemente contra o arbítrio e as exigências dos engenheiros de fiscalização.

Minha vantagem é conhecer os negócios da companhia desde sua fundação, ao passo que os engenheiros do governo apenas passam, nunca estão completamente a par e nem sempre têm coragem de estudar a fundo as questões que lhes são submetidas.

Há momentos em que lamento não ter estudado direito...

Nossa rede não está terminada; para que cubra todo o Rio Grande, seria preciso duplicá-la, acrescentando-lhe mais de 2.000 km.

O governo decidiu a construção.

19.01.1914

Crise financeira.

31.03.1914

Nascimento de Robert, filho de Hélène.

05.07.1914

Apesar da crise... as receitas do primeiro semestre de 1914 [da Auxiliaire] são sensivelmente iguais às do ano passado.

04.07.1914

Dentro de um ano e alguns meses completarei meu 25º ano de serviço numa companhia que mudou três vezes de nome, mas que no fundo permaneceu sempre a mesma: Sud-Ouest Brésiliens, Auxiliaire e Brazil Railway.

[Ainda há muitas cartas]

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Cartas de Gustave Vauthier ao seu irmão Maurice

Gustave Vauthier escreveu quase semanalmente cartas ao seu irmão Maurice [advogado, professor de direito, senador e ministro] em Bruxelas, com exceção durante a Primeira Guerra mundial (1914-1918) quando não houve serviço de correio entre o Brasil e a Europa. Essas cartas foram guardadas e encontram-se na Casa Guidoux, em Bagé (RS). Ele sempre escreveu em francês. A tradução foi feita com inteligência artificial. 

Suas cartas e anotações revelam não apenas aspectos técnicos de seu trabalho, mas também observações sobre a sociedade brasileira, o ambiente político e sua própria integração na vida local.

23.07.1911 – Carta a Maurice
Meu caro Maurice,
A Brazil Railway eliminou do conselho da Auxiliaire os administradores que representavam os interesses das Secondaires. Mudanças bastante profundas foram feitas no pessoal no Brasil. A minha situação, até agora, foi mantida.

06.03.1919 – Carta a Maurice
Meu caro Maurice,
Os negócios da Brazil Railway são muito complicados. Os administradores sucederam-se uns aos outros e cada mudança contribuiu para aumentar a confusão já existente. Minha posição oficial permaneceu a mesma: engenheiro-consultor.
Sinto um pouco de saudade da minha antiga situação, quando eu era diretor da Auxiliaire e dependia apenas de Bruxelas. Hoje a Auxiliaire não é mais que uma dependência — e uma dependência incômoda, pois a Brazil Railway perde dinheiro com ela.
Penso em Maurice Despret, Lucien Graux e nos outros que dirigiam a Auxiliaire antes da intervenção nefasta do sr. Farquhar.

 

29.06.1919 – Carta a Maurice
Meu caro Maurice,
Fui nomeado representante geral da Companhia Auxiliaire de Chemins de Fer no Brasil, provisoriamente e até a chegada do diretor de exploração — o engenheiro belga Catiaux.
Estou também exercendo as funções de diretor.
Fixarei minha residência em Porto Alegre, na rua Independência, nº 44.

 

31.03.1920 – Carta a Maurice
Meu caro Maurice,
A crise da Auxiliaire está chegando ao fim.

 

12.02.1920 – Correspondência da Cruz Vermelha Belga
(cabeçalho: Cruz Vermelha Belga, rua São Bento 34, São Paulo; o consulado da Bélgica funcionava entre 1907 e 1922 na rua São Bento 43).
Carta assinada por E. Winssinger e enviada de Santa Maria.
A colônia belga está aumentando em Santa Maria, e espera-se a chegada de Pieters, que desembarcará em Rio Grande.

 

22.06.1922 – Carta a M. Guidoux
O decreto de retomada da Auxiliaire foi assinado em 18 de junho. É possível que já a partir de 1º de julho a administração da ferrovia passe a ser feita por conta do Estado do Rio Grande do Sul.
A Auxiliaire receberá 200 milhões de francos belgas, valor correspondente ao passivo total da companhia. Creio que a liquidação será realizada sem perdas para os acionistas e para os obrigacionistas.
O presidente do estado, Borges de Medeiros, pensou em confiar-me a direção provisória. Declarei, porém, que não poderia abandonar minhas funções de representante da Auxiliaire antes da liquidação.

[há ainda muitas outras cartas]